quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Nove anos

Já faz nove anos que vivo na Dinamarca e toda vez que o inverno começa por essas bandas me faço a mesma pergunta: “O que é que eu tô fazendo aqui?”. A resposta é, claro, sempre a mesma, inspirada naquela canção sertaneja: “É o amoooor”.

Só mesmo amor para explicar minha resistência impressionante aos seis meses de dias escuros, gelados e úmidos e aos rostos carrancudos das pessoas que esbarram umas nas outras nas ruas de Copenhague.

O frio aqui começa para valer en outubro e só termina em março, o que não significa que setembro e outubro sejam meses de clima suportável. No primeiro em que vivi aqui nevou em abril! Fiquei chocada e, como uma consumidora lesada reclamando junto ao Procon, liguei ao meu marido indignada, para dizer que aquilo não se fazia, não era justo.

Eu nunca poderia imaginar que aquela neve de abril era apenas uma das mais inofensivas surpresas desagradáveis que eu teria na Dinamarca.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Tábua de salvação

Toda vez que penso duas vezes antes de soletrar ou dizer uma palavra em português, quase entro em pânico. Me apavora a possibilidade de acabar como alguns conterrâneos que, depois de anos vivendo longe do Brasil, falam uma língua própria, uma mistura de português e dinamarquês com contribuições descabidas do inglês.

Uma amiga tentou me consolar dizendo que não corremos esse risco porque procuramos falar e ler português sempre que possível. Mas, apesar dos amigos brasileiros na Dinamarca, de livros e da Internet, meu contato cotidiano com a língua é muito restrito. Boa parte do meu trabalho é em inglês. Minha comunicação verbal no dia a dia é sempre em dinamarquês, com exceção das horas que passo com meu marido e minha filha, quando falamos em português.

Por mais que procure usar a língua verbalmente e através de leituras, tenho sentido que está ficando cada vez mais difícil escrever na minha língua, o que me chateia muito.

Tudo isso explica minha motivação para iniciar o Blogadona. Espero que aqui encontre uma tábua de salvação na minha tentativa de manter contato freqüente com a minha língua adorada.

terça-feira, 24 de outubro de 2006